O que as lágrimas não falam – Final III

Publicado: 22 de junho de 2010 em Feito por todos

Com isso, Ion põe a mão em seu bolso e tira algo. Ao abrir a mão, via-se uma caixa oval e pequena, do tamanho de uma caixa de fósforos. Uma caixa de madeira. Bem simples. Com uma fechadura de cobre. Ao lado da caixa, estava sua chave.

-Pegue amigo – Falou Ion – Nada posso fazer, além de entregar-lhe isso.

-O que espera que faça com isso? – Perguntou Iael.

-Essa caixa é um presente que ganhei de um andarilho. Ele disse que tal objeto é capaz de realizar o nosso mais profundo desejo, desde que seja aqui que realmente queiramos. Mas te peço…

– Diga o que?

– Tenha bastante cuidado ao abrir essa caixa, pois o desejo que queres agora poderá não ser o que realmente o que o teu coração quer.

Iael tomou a caixa em suas mãos. Pegou a chave e girou-a na fechadura. não abriu. Hesitara por algum motivo.

Ficou pensativo, não conseguiu entrar em acordo com a mente e o coração. Então fechou seus olhos e disse:

-Agora eu tenho certeza. Que seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu…

E nessa mesma hora, abriu a caixa. Uma luz muito grande e forte saiu de dentro da caixa e tomou todo o ambiente por alguns segundos.

Ieal abriu os olhos e viu-se dentro de um quarto, deitado em uma cama.

– Onde estou? – se pergunta

Levantou-se da cama e a primeira coisa que viu foi um calendário. Então percebeu que havia voltado, cerca de uma semana antes do acidente, pois o mesmo havia ocorrido por volta das 21:10 do dia 01 de outubro de 2004, uma sexta feira, e eram por volta de 09:10 do dia 27 de setembro de 2004, segunda feira.

Percebeu ,também, que não era mais um anjo e sim um mortal, pois sentia sono e cansaço, sensações desconhecidas pelos anjos.

-Bem, se agora sou mortal, posso então amar e ser amado. – pensou ele.

Então, começou a observá-la, a sua menina. Descobriu que ela trabalhava em uma biblioteca. Decidiu frequentar tal lugar todos os dias, para tornar-se seu amigo e tentar fazer com que ela o amasse.

Chegara à biblioteca e sentara à mesma mesa que ela. Começaram a conversar e ela a se encantar cada vez mais com ele. Foi aí que o horário de trabalho dela acabara. Então ela disse:

– Tenho que ir, mas antes, queria lhe pedir um favor.

– Pode falar. – Respondeu ele com um enorme sorriso no rosto.

– Queria que você voltasse amanhã, pois adorei lhe conhecer.

– Claro. Voltarei sim…

Isso soava como música para os ouvidos do antigo anjo. Iael sentia-se o homem, agora assim podia se denominar, mais feliz do mundo.

No outro dia voltou à biblioteca, e no outro, e no outro…

Haviam tornado-se muito amigos. Melhores amigos, para ser mais exato.

Na sexta feira, Iael estava triste, pois sabia que, naquela noite, perderia sua menina. Mas ele não se deixava abalar. Chegara à biblioteca com um bouquet de rosas branca e somente uma rosa vermelha no centro e a chamou para sair.

– Está bem – respondeu ela empolgada – pegue-me em casa, às 20.

Ieal ficou muito feliz com isso. Voltou para casa, arrumou-se e escolheu o restaurante para irem. Escolheu o restaurante preferido dela, esse ficava exatamente em frente ao local do acidente, mas isso nem o anjo sabia.

Era por volta de 19:30 quando Iael saira de casa. Chegou à casa de sua menina um pouco antes das 20, mas só quando  deu a hora exata que ele a chamou.

– Nossa como você é pontual! – Falou ela com um tom de elogio.

No carro, pôs o CD da banda favorita dela e conversaram como de costume. Chegaram ao restaurante por volta das 20:30. Sentaram-se na melhor mesa, pediram o melhor vinho e o prato favorito dela.

– Engraçado – disse ela –  nos conhecemos há tão pouco tempo, mas você já sabe tanta coisa ao meu respeito! Sabe meu restaurante favorito, minha banda favorita e, até mesmo, o meu prato favorito… Diz-me, como você sabe tanto sobre mim?

Ele ficou sério, olhou fundo nos olhos dela e disse:

-Eu sei tudo isso, porque eu te amo.

Ela ficou surpresa com tal afirmação.

-Mas, como pode me amar, me conhecendo há tão pouco tempo?

-Sinto muito, mas isso eu não posso responder.

-Bem que eu queria acreditar em você, mas é muito difícil. Não sei. Tenho medo de me magoar, ou pior de te magoar. Preciso de uma prova.

-Diga qual, que eu te mostrarei.

-Isso só o tempo poderá mostrar.

-E, se eu disser-lhe que não há tempo? Disser-lhe que morrerás esta noite, atropelada?

– Como sabe disso? Como sabe tanto? Você está louco e está me deixando também.

– Não! Até queria estar, mas não estou. Eu sei disso, pois eu era um anjo. Teu anjo da guarda. Que te protege desde quando nasceste. Mas não cumpri meu papel com responsabilidade. Acabei por me apaixonar por você e deixá-la morrer esta noite. Então, tive uma chance. A chance de consertar tudo isso. Portando, voltei no tempo, com ajuda de um grande amigo, e agora estou aqui, tentando explicar para você que corre risco de vida, mas você não me leva a sério.

Tudo fica em silêncio por alguns instantes. Eles se olharam em um olhar profundo e penetrante. Então, ela começou a rir, mas não risos de quem esteja achando algo engraçado, mas sim risos sarcásticos.

-Espera que eu acredite nisso? – perguntou ela – Deve estar brincando comigo.

– Não! Não estou. – respondeu ele – é a mais pura verdade.

– Era pra rir? Porque, se fosse, não funcionou.

Com isso, ela pegou suas coisas e se retirou da mesa. Ieal a seguiu, mas ela não o deu ouvido. Então ele viu o carro que a atropelara. Viu também que o motorista estava de olhos fechados.

Escutou novamente o grito de socorro e medo de sua menina. Correu em direção a ela e, com um rápido movimento, a empurrou e a tirou do caminho do carro, mas não conseguiu salvar-se. O carro passou por cima dele e o grito de sua menina foi calado pelo seu sentimento de dor. Seu socorro havia sido em vão.

O carro continuou em linha reta e só parou quando bateu em um poste e foi estraçalhado.

Ela tomou o corpo de Iael em seus braços. Percebeu que estava sem vida, mas não quis acreditar.

– Não morra, por favor – disse ela chorando – eu não disse que te amava, e você morreu por minha causa e ainda com raiva de mim.

Nesse instante, os policiais, que estavam perseguindo o carro que atropelou Iael, tiraram a menina d local do acidente. Ao sair de lá, ela percebeu que, agarrados ao corpo de Iael, estavam um anjo e uma luz.

Bem, não se sabe ao certo o que aconteceu a ela. Uns falam em suicídio, outros que ela morreu por algum outro motivo e ainda há quem diga que ela está viva, casada e com filhos.

Eu estou aqui, diante da lápide do meu amigo.

“Aqui jaz um fiel seguidor dos mandamentos de Deus.”

Atenciosamente

Ion.

FIM

Ps: É isso aí galera, agora vocês podem escolher ler tudo como um texto só, ou, se preferir, o final mais adequado pra história.

Beijos, queijos, abraços e Whatever.

Sete.

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