Embate

Publicado: 4 de junho de 2010 em Feito por todos

A noite era testemunha silenciosa e aflita daquele acontecimento. Ali, naquela mata isolada, entre grandes árvores de folhagem densa, aquelas duas criaturas se enfrentavam, numa luta ferrenha, um combate aonde apenas uma delas poderia sair com vida. Mas nenhum dos dois parecia querer se entregar, apesar da já exaustiva luta que já se prolongara muito madrugada adentro.

O primeiro subiu em uma árvore, acuado, o primeiro sinal de cansaço, mas não de derrota. As presas ainda à mostra, os olhos num vermelho brilhante e intenso e um filete de sangue ainda escorria de sua boca. Limpou o rosto pálido com as costas da mão, e agilmente continuou sua escalada até o topo da árvore. Não queria ser derrotado, mas a perda excessiva de sangue estava exaurindo suas forças. Precisava de mais, precisava… Se alimentar… Mas o único sangue disponível era daquele amaldiçoado, um sangue com um cheiro nauseante que fazia suas entranhas revirarem. Observava a lua no céu, a grande e luminosa lua cheia… A amaldiçoava naquele instante, quando sentiu a árvore vibrar sob seu corpo, com outro solavanco ela pareceu balançar perigosamente ameaçando tombar.

O outro também começava a mostrar sinais de cansaço, sua respiração rápida e pesada passava por entre seus dentes na forma de rosnados, e finalmente começava a sentir a dor dos ferimentos que sofrera. Ah, aquele safado sumira da sua frente no segundo em que conseguiu uma brecha… Fraco! Parou ao pé de uma arvore antiga, muito alta, com um tronco largo. Sim, ele estava lá, seu olfato não errava nunca. Começou então a atacar a árvore, enfiava suas garras arrancando pedaços do tronco, fazendo toda a estrutura da planta tremer. Como a árvore, por sua longa idade que lhe garantia um tronco forte e largo, mostrava resistência aos seus ataques, investiu contra ela com seu próprio corpo, fazendo-a balançar violentamente e finalmente tombar. Deixou escapar um longo uivo, expressão de sua raiva ao perceber que ele conseguira escapar; o focinho começou, então, a trabalhar rápido, tentando encontrar o rastro dele. Então, de repente, sentiu o peso dele nas suas costas e uma dor dilacerante no ombro.

Odiava-se por ter de fazer aquilo. O cheiro daquele cachorro imundo inundava suas narinas e o fazia enjoar, o sangue dele passava por sua garganta rasgando, queimando o caminho por onde passava, mas ainda era o sangue regenerador que o faria conseguir se manter de pé até o fim daquele combate. Era humilhante, sabia, mas era também sua única chance.

Sentia-se fraco, a dor intensa que queimava seu ombro estava se espalhando por todo o corpo, as garras tentavam, em vão, alcançá-lo. Os membros inferiores vacilavam, mas não podia fraquejar diante daquela situação, já bastava o fato de ter um sanguessuga nojento tirando seu sangue, sua vida. Então, com todas as forças que ainda possuía, atirou-se na árvore mais próxima, de costas, imprensando o outro violentamente conta a árvore, fazendo-o despencar de suas costas.

Fora pego de surpresa com aquele ataque. Sentia um grande desconforto nas costa, arriscaria dizer que quebrara algumas costelas. Levantou-se lentamente, os olhos vermelhos brilhando ainda mais, tinha que acabar com aquilo logo, a noite estava acabando e ele ainda não estava preparado para apreciar o amanhecer. Avançou ferozmente contra o inimigo, um último esforço desumano para vencer.

Via o outro levantar lentamente, e o encarar com os olhos brilhantes. Maldito ladrão de sangue! Mas seria melhor acabar com tudo logo, sentia que a lua estava prestes desaparecer e aí tudo estaria perdido para ele. Inflou o peito e soltou outro grande uivo, antes de mostrar as grandes garras, pronto para o ataque. Não estava disposto a perder.

A perigosa se estendeu um pouco mais, até que a lua finalmente se escondeu.

Uma fraqueza generalizada se apossou de seu corpo, e foi ali, ao olhar para cima e constatar que a lua não estava mais lá, que percebeu que era o fim. Morreria ali. Sentiu novamente aquelas presas cravarem em sua pele e tirarem o resto de suas forças. A visão começava a embaçar, já não conseguia mais se mover. Sentiu também quando seu corpo foi jogado violentamente ao chão, e quando um pé esmagava seu peito com intensidade, ouvia o barulho dos seus próprios ossos quebrando, e desejava com todas as forças já estar morto.

Deixou a cabeça pender para o lado e a última coisa que conseguiu visualizar antes de mergulhar na escuridão, foi um céu claro, o raiar do dia. Sentiu o peito queimar, e finalmente se entregou à morte.

Luana Frota.

Post by: Sete.

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comentários
  1. Luana disse:

    Ai, que emoção *___________*
    Tou me sentindo a famosa agora, heuheuehuehuehe

    Espero que as pessoas tenham gostado XD

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